Shirley Nascimento: policial, esposa, mãe e faixa marrom de jiu-jitsu

Ela tem duas paixões: a família e o jiu-jitsu. Shirley Nascimento é uma pernambucana de 37 anos e pode ser considerada uma das pioneiras na prática da arte suave no Nordeste. Mãe do Saulo, do Victor e da Izadora, esposa do professor Douglas Rodrigues (faixa preta), perita papiloscopista da Polícia Civil de Pernambuco e faixa marrom do professor Luciano Pio – ZR Ilha do Retiro, essa pequena grande mulher trilhou – e ainda trilha – uma linda história nos tatames.

Ela começou a treinar aos 21 anos, quando era aluna do curso de Educação Física na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). À época, já tinha o desejo de conhecer e praticar uma arte marcial, especialmente por ser mulher, tímida e de estatura baixa. Intimidada pelo preconceito, Shirley se motivou e, incentivada por uma amiga, pisou no tatame pela primeira vez.

“O jiu-jitsu me fez conquistar muitas coisas boas na vida. Na minha profissão, por exemplo, tive a oportunidade de integrar o quadro de instrutores e ser a primeira mulher a ministrar aulas de Defesa Pessoal na Academia de Polícia Civil. A prática do jiu-jitsu se faz essencial à minha função policial e, tendo o condicionamento técnico, espantei o preconceito e ganhei o respeito dos demais colegas policiais. Também foi muito importante a família que o jiu-jitsu me deu, sem cota sanguínea, que são meus professores e amigos de treino”, contou Shirley.

Ela treina na ZR Team Ilha do Retiro e compõe o quadro de instrutores capitaneados pelo professor Luciano Pio, sendo a responsável pelo projeto Meninas no Tatame, que conta com aproximadamente 30 mulheres treinando rotativamente. “Meu professor Luciano Pio é um cara que me ensina muito todos os dias, não apenas o jiu-jitsu mas também acerca da formação de um bom caráter, essencial ao ser humano. E nosso mestre Zé Radiola dispensa argumentos. É um gigante coração de campeão que contagia todos os seus alunos e eu sou muito feliz por representar a ZR Team por onde vou”, disse a faixa marrom.

Com apenas seis meses de prática da arte suave, Shirley sagrou-se campeã mundial em Pernambuco, no evento chamando Word Cup, em 2004, e, desde então, ela participa de competições regionais e nacionais, buscando sempre experiências positivas, superação e trabalhar seus próprios medos. Em 2018, foi campeã pernambucana e de dois campeonatos exclusivamente femininos realizados em Alagoas e Pernambuco.

Família inteira no tatame

Na família de Shirley, a paixão pela arte suave é transmitida desde muito cedo, praticamente desde a gestação. Seus filhos sempre a acompanham aos treinos e já estão familiarizados com o esporte. “Na minha última gestação, treinei pesado até descobrir que estava grávida de três meses. Hoje meus filhos já pedem para vestir o kimono, montar o tatame e praticamos a arte suave em nossa sala de estar. Definitivamente, o jiu-jitsu está em nosso DNA”, comemorou a pernambucana, que afirma que ser mãe, policial, esposa e atleta não é uma tarefa nada fácil, mas é uma louca rotina apaixonante.

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