Com experiência nos Emirados Árabes, Mirella Feijão se prepara para voltar às competições de jiu-jitsu

Aos 30 anos, Mirella Feijão, faixa preta da ZR Team Association, é natural de Natal, no Rio Grande do Norte, e deixou para trás muito preconceito, encontrando no jiu-jitsu a cura para um diagnóstico de resistência insulínica. Terapeuta ocupacional por formação e especialista em neuroreabilitação e em acupuntura, a bela potiguar divide sua rotina entre o trabalho na área de reabilitação infantil e os treinos de jiu-jitsu.

“Sempre amei esportes e cheguei a praticar vários durante a minha infância e adolescência. Aos 14 anos comecei a praticar judô e a competir pela escola e, motivada em melhorar, procurei o jiu-jitsu para aprender e aperfeiçoar técnicas de chão. Comecei a treinar aos 16 anos, em uma época onde o preconceito era muito grande em Natal por conta de episódios violentos envolvendo membros de academias rivais. Me apaixonei pelo jiu e parei de treinar judô, tamanho foi meu encantamento”, explicou Mirella.

Envolvida com os estudos, Mirella chegou a abandonar os tatames por um tempo, momento em que atingiu os 80kg e foi diagnosticada com resistência insulínica, com a possibilidade de apresentar diabetes a curto prazo. Acima do peso, sem qualidade de vida e com a auto estima muito baixa, a faixa preta retornou aos tatames e o jiu-jitsu a ajudou a emagrecer e a se tornar a jovem disposta e motivada que era antes.

“No jiu-jitsu conheci amigos que se tornaram professores e me ajudaram muito na minha trajetória. Destaco especialmente o Hugo Britto, o Quezado e Gian Almeida, que considero meus grandes motivadores e me mostraram que eu poderia ser uma boa atleta. Logo depois conheci o mestre Zé Radiola, que comprou uma briga por nós de Natal, me acolheu e me ajudou a buscar o sonho de ser campeã”, destacou Mirella.

Aulas para crianças e mulheres abriram as portas para os Emirados Árabes

Com a retomada dos treinos frequentes e a preparação para participar de competições, Mirella não tinha mais resistência à insulina, suspendeu o uso de medicamentos e agora priorizou o jiu-jitsu e uma boa alimentação. Entre suas conquistas, a faixa preta sagrou-se campeão brasileira e panamericana pela CBLP e foi campeã do Nordeste Open. Ainda na faixa roxa, começou a dar aulas para crianças e para mulheres e a potiguar acabou se surpreendendo com sua desenvoltura como professora.

Foi quando surgiu a oportunidade de morar fora do Brasil para ensinar jiu-jitsu e Mirella Feijão desembarcou nos Emirados Árabes (Dubai), onde a potiguar deu aulas e percebeu o quanto o jiu-jitsu é reconhecido fora do país. “Foi uma experiência única e gratificante, mas estar de volta ao Brasil e poder treinar é muito bom. Cheguei há seis meses, foquei nos treinos de competição há um mês e, quando estiver preparada, voltarei a representar a ZR Team em competições locais, regionais e nacionais”, planejou a potiguar, que tem como meta voltar a competir e, futuramente, voltar a romper fronteiras para ensinar jiu-jitsu fora do país.

Quando fala sobre o preconceito em relação às mulheres no tatame, Mirella enfatizou que os primeiros sinais começaram em sua própria casa, quando questionavam em relação às competições e à dedicação aos treinos. As dificuldades em seus relacionamentos também começaram a aparecer, pois, segundo ela,“não queriam aceitar o fato do esporte ser de contato e as rotinas de treinos e campeonatos. Profissionalmente, questionavam por ter uma terapeuta ‘lutadora’. Mas nada me fez desistir e só provou para todos que quando realmente queremos, podemos ser lutadoras, profissionais e mulheres bonitas”.

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